Não creio em ministrações. Creio em sermões.
Não creio em cânticos de louvor e adoração. Creio em hinários.
Não creio em ministérios - associações empresariais envolvendo editoras, gravadoras, lojas, marcas, etc. Creio em ministério, no sentido original da palavra em grego: serviço.
Não creio em "apóstolos", "ministros de louvor" e grandes conferencistas. Creio em pastores - homens da igreja, dedicados a cuidar de pessoas.
Não creio em mega-igrejas, em multidões sem rosto a espera da benção de Deus. Creio em igrejas, em comunidades de pessoas vivendo em Cristo.
Não creio em uma "geração de adoradores apaixonados por Deus que vão impactar o Brasil e o mundo". Creio, sim, nos artistas, nos poetas, professores, nos médicos, nos operários, nos cozinheiros, nas vendedores de ferramentas, nos policiais, nos anciãos piedosos, nas crianças. E nos pastores. E em todos aqueles que, a seu modo particular, tornam o mundo um lugar um pouco melhor.
Não creio em um Jesus Cristo que, diz uma música, se eu pedir, virá, como chuva, descerá. Eu creio no Jesus Cristo que disse, ao final do Santo Evangelho de Mateus: eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.
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terça-feira, 11 de junho de 2013
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Sobre a Carta de Mario Quintana a um poeta
A composição do Cânon bíblico é assunto mais ou menos recorrente, nesse mundo pós-moderno onde teorias da conspiração brotam com xuxos nas cercas. Basta a leitura descompromissada de um romance dito revolucionário, dito histórico, dito filosófico, e lá saem ao mundo mil doutores do assunto, formados em plena leitura. "O Cânon foi manipulado pela Igreja", "Os evangelhos gnósticos são os verdadeiros", "Os primeiros cristãos eram gnósticos", e mais alguns colóquios infindáveis.
Apiedo-me do bom Leonardo Da Vinci - para mim, o segundo maior homem depois de Cristo. Certamente Da Vinci tinha seus enigmas, seus códigos. Mas tais foram profanados pela sempre sacrílega e nunca sincera exposição midiática. Eu sei: já faz uma década desde que Dan Brown revelou ao mundo a obra que o afamou. Mas não podia deixar-me de lembrar disso, dado o assunto deste pequeno ensaio.
Eu tenho um candidato melhor para integrar o cânon bíblico: a "Carta" de Mario Quintana, o Poeta das Coisas Simples, endereçada a um poeta anônimo.
Minha sugestão não é por motivos doutrinários; é por motivos poéticos. Nada tem a ver com os Manuscritos do Mar Morto, ou com os Manuscritos de Nag Hammadi - os quais Dan Brown alegremente mistura - tem a ver, sim, com algo místico presente naquela Carta, somente semelhante a sacralidade dos textos bíblicos. A essa propriedade mística, poderíamos dar vários nomes. Eu aprecio "Palavra de Deus".
A Carta de Quintana é, para mim, o mais bem feito e sucinto tratado a respeito da criação poética, e por extensão, da criação artística em geral.
Na Carta, Quintana não deixa devendo a um Apóstolo: reconhece-se homem falível ante a Divindade, recita o Mistério com temerosa devoção, usa imagens bíblicas e a elas interpreta. (continua...)
Apiedo-me do bom Leonardo Da Vinci - para mim, o segundo maior homem depois de Cristo. Certamente Da Vinci tinha seus enigmas, seus códigos. Mas tais foram profanados pela sempre sacrílega e nunca sincera exposição midiática. Eu sei: já faz uma década desde que Dan Brown revelou ao mundo a obra que o afamou. Mas não podia deixar-me de lembrar disso, dado o assunto deste pequeno ensaio.
Eu tenho um candidato melhor para integrar o cânon bíblico: a "Carta" de Mario Quintana, o Poeta das Coisas Simples, endereçada a um poeta anônimo.
Minha sugestão não é por motivos doutrinários; é por motivos poéticos. Nada tem a ver com os Manuscritos do Mar Morto, ou com os Manuscritos de Nag Hammadi - os quais Dan Brown alegremente mistura - tem a ver, sim, com algo místico presente naquela Carta, somente semelhante a sacralidade dos textos bíblicos. A essa propriedade mística, poderíamos dar vários nomes. Eu aprecio "Palavra de Deus".
A Carta de Quintana é, para mim, o mais bem feito e sucinto tratado a respeito da criação poética, e por extensão, da criação artística em geral.
Na Carta, Quintana não deixa devendo a um Apóstolo: reconhece-se homem falível ante a Divindade, recita o Mistério com temerosa devoção, usa imagens bíblicas e a elas interpreta. (continua...)
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